esnobando o domingo


eu tenho mesmo

a incansável vontade de tentar de novo.

na dúvida

enquanto apertava um, se perguntou: será que eu devo continuar? no fundo, uma outra voz, talvez fosse a sua, mas para a loucura já nem fazia diferença, respondia: sim. continua. continua com a sensação de que nunca mais vai amar como antes, com sensação de que não se deve confiar muito em ninguém... com a memória cheia de vergonhas alheias e que sem querer te atingem, continua amando aquele cara bobo, continua sentindo aquela merda toda... eu sei que passa por tuas veias tal qual essa droga injetada, sei que jorra entre teu sangue tal qual o álcool que tomas, então se deixa levar por essa enxurrada de horas mal usadas; entende que anjos mentem para não perder o controle, e se você sabe que segue certo, qual o problema? não seja mais tola, nem santa... retorne ao cálice todo vinho, toda Inocência, cuspa nas almas que não entendem o que pode significar isso pra você... não precisa na verdade decorar todo esse discurso. só entenda que deve continuar, pra ver onde vai dar, pra se decepcionar, e sentir se vale a pena se dar assim. -

depois de ouvir a tal voz interior, seguiu apertando. a erva da vez, pra esquecer apenas do bobo. a corte aparenta ainda estar salva.

solo.


- Por um momento achei que tivesse esperando alguém. Na verdade não tem ninguém e é só mais uma noite vazia.
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